Ainda sobre a implosão da centro-direita, no Rio e em São Paulo

Rodolfo Darrieux* e Carolina de Paula**

Em nossas últimas colunas apresentamos dados sobre a implosão da centro-direita tradicional, materializada principalmente no PSDB e MDB, nos pleitos para o Congresso e o Executivo federal. Agora, ilustramos que essa implosão também foi sentida em âmbito estadual, ao menos nos casos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e da Assembleia Legislativa de São Paulo.

No Rio, além do aumento da fragmentação partidária, saltando de 22 partidos para 28 com representação política, nota-se que o MDB, historicamente forte no estado, perdeu quantidade substantiva de cadeiras: de 15 assentos, ocupará apenas cinco (não consideradas possíveis migrações). Já o PSL, antes pequeno e inexpresivo, com apenas dois deputados eleitos em 2014, viu sua bancada disparar para 13 deputados, tornando-se a maior bancada do Legislativo fluminense. Também é interessante notar no gráfico abaixo o crescimento do DEM, que em 2014 não havia eleito nenhum deputado. Assim, apesar de a direita não tradicional ter crescido substancialmente, o DEM retomou parte da força política antes perdida no estado.

Assim como no Rio, como mostra o gráfico, a fragmentação partidária aumentou em São Paulo, saindo de 21 para 26 partidos com representação na Assembleia. O PSDB, maior força política no estado desde a redemocratização do país, perdeu drasticamente seu espaço, saltando de 22 membros eleitos em 2014 para oito em 2018. Novamente, o PSL ganha destaque ao assumir a maior bancada: de uma cadeira em 2014, tem 15 em 2018. No caso paulista, porém, a diferença entre o volume de assentos da da primeira e da segunda maior bancada, do PT, não é tão significativa.

Vemos que o efeito “coattail” — aquela tendência de uma liderança política conseguir arrebatar votos para o seu partido e aliados em uma eleição — proporcionado por Jair Bolsonaro (PSL) não só foi fundamental para reconfigurar a Câmara de Deputados, como impactou os estados. O peso do efeito foi tão grande, que reverberou também nas disputas pelos Executivos estaduais. Os candidatos que ligaram sua imagem à de Bolsonaro tiveram votação expressiva, como foi o caso de Wilson Witzel (PSC) no Rio de Janeiro e Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais. Em São Paulo, João Doria (PSDB) ainda tenta surfar na onda deixada pelo presidenciável da extrema direita.

*Rodolfo Darrieux é doutorando em ciência política pelo Iesp-Uerj e membro da equipe do Iesp nas Eleições.
**Carolina de Paula é doutora em ciência política, coordenadora do Iesp nas Eleições e sócia-diretora da Vértice Inteligência.

O IESP nas Eleições publica às quintas-feiras análises sobre as Eleições Legislativas em uma parceria com o NEXO Jornal, tendo sido este texto publicado no dia 25/10: https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2018/Ainda-sobre-a-implos%C3%A3o-da-centro-direita-no-Rio-e-em-S%C3%A3o-Paulo

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