Boletim do Whatsapp – Nº 4 Padrões comunicativos das campanhas de Haddad e Bolsonaro

Victor Piaia[1]

O quarto Boletim do Whatsapp se ocupa dos conteúdos que circularam pelo Whatsapp entre os dias 08 e 15 de setembro. Para essa edição, contamos com a participação de 50 colaboradores que encaminharam mais de 800 conteúdos que circularam por seus grupos de Whatsapp. Análise do material segue o padrão dos outros boletins e inclui algumas reflexões mais gerais sobre os padrões de ação e compartilhamento de cada grupo político em perspectiva comparada.

A dinâmica de circulação de conteúdos segundo turno é mais concentrada e aparentemente mais colada aos acontecimentos da campanha oficial. Isso ocorre nos dois sentidos: seja reproduzindo as falas dos candidatos, seja pautando temas aos quais eles devem responder no debate público.

Colabore você também! Basta salvar o número (21) 97598-1590 na sua agenda e encaminhar conteúdos políticos que circularem em seus grupos de Whatsapp. Vale vídeo, texto, imagem, link, áudio, meme etc. O importante é que tenham circulado por seus grupos!

Ataques diretos x Ataques ao entorno

Uma das principais diferenças entre os conteúdos críticos aos candidatos se refere ao alvo dos ataques. A campanha negativa contra Jair Bolsonaro tem como principal alvo a sua própria figura, com ênfase em suas declarações ao longo da vida pública e em suas propostas divulgadas ao longo do período eleitoral. Já a campanha negativa contra Fernando Haddad é muito mais ampla, incluindo diversas figuras de seu entorno, como Manuela D’Ávila, Lula, Gleisi Hoffman e o próprio Partido dos Trabalhadores. Comparativamente, os ataques diretos à figura de Fernando Haddad são muito reduzidos, ainda que venham se intensificando ao longo da campanha.

Essa é uma diferença relevante, pois coloca os candidatos à frente de desafios distintos. Os ataques diretos à Jair Bolsonaro não parecem surtir efeito negativo. Um exemplo foi a entrevista no Jornal Nacional na qual o foco das perguntas sobre Bolsonaro foram suas próprias falas, diferente das entrevistas outros candidatos, que focaram em suas alianças e sobre o comportamento de seus correligionários. A avaliação geral, confirmada pelo resultado no primeiro turno, foi a de que o candidato do PSL se saiu bem nesse desafio. Ainda nesse mesmo sentido, podemos perceber que os ataques mais incômodos à campanha de Bolsonaro resultaram exatamente de declarações de pessoas de seu entorno, como Paulo Guedes e seu Vice, Hamilton Mourão.

Conteúdo oficial x Conteúdo “não-oficial”

As campanhas de cada um dos candidatos também diferem em relação aos tipos de formatos de conteúdos compartilhados. Os conteúdos de endosso a Jair Bolsonaro, muito fortes durante todo o primeiro turno, são marcados pela i) grande quantidade de material; ii) grande variedade de fontes e formatos; iii) por uma estética que difere das peças normalmente produzidas pela campanha oficial.

Essas duas últimas características são muito relevantes. Um exemplo são as denúncias de fraudes das urnas eletrônicas. Pouquíssimos conteúdos que fazem essas denúncias são peças da campanha oficial. É óbvio, as declarações da família Bolsonaro e de generais apoiadores exercem grande influência para que essa ideia se dissemine, mas a forma como ela repassada não é exatamente pela reprodução dessas declarações. Os conteúdos são muito variados em relação às fontes e formatos. Especificamente sobre os supostos problemas das urnas eletrônicas, chegaram vídeos de influenciadores, áudios com relatos, memes, textos e notícias. A denúncia não se escora em apenas uma fonte com credibilidade, mas envolve os receptores por diversos ângulos, desde a hierarquia de uma autoridade distante, até a proximidade de um relato de um eleitor comum.

Já os conteúdos em campanha para Fernando Haddad apresentam uma estética mais próxima a materiais de campanha oficial. São muito poucos os relatos em áudio e vídeo sobre alguma situação da campanha, no geral. A exceção foram os últimos dias em que se destacaram as denúncias de violência contra seus apoiadores, com imagens e vídeos e relatos sobre os ataques. Nesse sentido, a campanha de Haddad no Whatsapp parece abraçar um método mais tradicional de comunicação eleitoral, com a produção de conteúdo mais centralizada e padronizada.

Até agora o padrão comunicativo dos apoiadores de Jair Bolsonaro parece engajar mais o eleitorado. Isso, claro, não deve ser tomado como dado, pois não é possível descartar a eficácia das fake news em arranhar a imagem de Haddad e dificultar seu crescimento. As conclusões ficam como hipóteses de pesquisa. O monitoramento continua!

[1] Doutorando em Sociologia pelo Iesp-Uerj. Email: piaia.victor@gmail.com

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