Resumo do Horário Eleitoral Gratuito – 4ª semana (25/9 a 29/9/2018)

Douglas Curvelo*

Presidente (25/09 – 27/09 – 29/09)

Marina Silva (REDE, 21s) inicia a quarta semana clamando pela união do país e reforça o apoio de sua candidatura por nomes como André Lara Resende, Eduardo Jorge e Ricardo Paes de Barros. Ao longo da semana, a candidata afirma a importância da justiça e usa sua posição de mãe e de mulher para reafirmar saber das necessidades de creche, saúde e segurança para a população mais humilde. O slogan “uma mulher do povo na presidência não deixa ninguém para trás” traduz a intenção de se afastar da imagem de política e se colocar como a candidata que entende os anseios da população.

Henrique Meirelles (MDB, 1min55s) relembra as consequências do voto indignado para o futuro do Brasil. O candidato, por um lado, critica a inaptidão de Bolsonaro, ao destacar seu despreparo para criar empregos no país e, por outro, critica também a corrupção dos governos petistas, embora reconheça o êxito econômico do período em que comandou o Banco Central. Meirelles se coloca como candidato ficha limpa e sem denúncias de corrupção e reforça sua expectativa de ter cativado o respeito do eleitorado, esperando, agora, por seu voto.

Geraldo Alckmin (PSDB, 5min32s), mantém nesta semana a crítica direta ao PT e ao Bolsonaro. Alckmin se coloca contra o radicalismo ideológico e se reafirma como o único capaz de derrotar Haddad e o PT em um segundo turno. Na segunda propaganda da semana, Ana Amélia, vice de Alckmin, aparece desmentindo boatos de que a chapa apoiaria o PT no segundo turno e relembra seus posicionamentos contra o governo Dilma, proferindo críticas ao partido, com os escândalos do ‘Petrolão’ e dos desvios de dinheiro. O programa rebate o discurso de Mourão sobre os efeitos negativos da ausência paterna na formação do jovem, destacando as 30 milhões de famílias brasileiras chefiadas por mulheres no Brasil. A campanha reforça ainda o discurso sobre os perigos de um presidente que excluiria setores da população e expõe episódios de hostilidade de Bolsonaro em relação às mulheres, aos homosexuais e o apoio que este obteve de grupos neonazistas. O protagonismo das mulheres nessa eleição aparece como tema de discussão ao longo da semana.

Haddad (2min23s) faz apelo retrospectivo à memória do eleitor acerca do período próspero dos governos Lula e Dilma ressaltando os números de 36 milhões de brasileiros fora da miséria, 20 milhões de empregos gerados, otimismo e protagonismo no cenário mundial. O candidato retoma o discurso do Golpe, em 2016, da prisão injusta de Lula, do congelamento dos investimentos por 20 anos, da reforma trabalhista e previdenciária. Menciona também a ameaça de aumento de impostos em caso de vitória dos adversários e promete redução de impostos para os mais pobres e a classe média; circulação de dinheiro na mão do povo, crédito e juros baixos.

Ciro Gomes (38s), expõe, em linhas gerais, suas propostas: limpar o nome da população endividada do SPC, oferecer escolas profissionalizantes e creches de tempo integral. Menciona seu curto tempo de televisão e convida os eleitores a visitarem seu site. O jingle da campanha reforça o apelo ao Nordeste, com ritmo e sotaque da região.

Na campanha de Boulos (13s), Sônia Guajajara, vice-candidata da chapa, reforça o convite para as manifestações “Ele não” no sábado (29) por todo país contra Jair Bolsonaro e pede voto pelos direitos das mulheres.

Jair Bolsonaro (PSL, 8s) mantém a mesma campanha das últimas semana com o mote de que não conseguirão deter sua força e que a esperança está mais viva do que nunca.

Álvaro Dias (Podemos, 40s) se posiciona criticamente em relação aos governos petistas, caracterizando-os como incompetentes e intolerantes. O candidato critica também a classe política atingida pela Lava-Jato

Os candidatos Cabo Daciolo (Patriota), Eymael (PDC), João Amoedo (NOVO), João Goulart Filho (PPL) e Vera Lúcia (PSTU), por conta do reduzido tempo de propaganda, conseguem apenas dizer seu mote principal da campanha e pedir o voto.

Cabo Daciolo (8s), mantém seu discurso contra a corrupção e a escravidão, clamando a Deus.

O candidato Eymael (8s) repete sua promessa de financiamento de habitação popular com entrada zero

João Amoedo (7s) afirma que a mudança depende da decisão popular e pede voto.

Já o candidato João Goulart Filho (7s), repete a propaganda das últimas semanas, com o slogan “Quem gosta do Brasil, vota nele!”.

Por fim, Vera Lúcia (7s), caracteriza a dívida pública como o maior roubo do Brasil.

 

Governador do estado do Rio de Janeiro (24/09 – 26/09 – 28 /09)

Romário (Podemos, 44s),  inicia o programa recebendo o apoio do candidato ao Senado, Miro Teixeira para o governo Estadual. Destacando a temática da inclusão, o candidato diz que o nascimento da filha com síndrome de Down mudou sua vida e que decidiu entrar para a política em defesa das famílias que não podem arcar com os custos de tratamento de um filho deficiente, sendo relator da Lei Brasileira de Inclusão. Ele afirma querer cuidar daqueles que mais precisam. Menciona sua biografia e carreira no futebol, com apelo ao eleitorado das torcidas de futebol.

Márcia Tiburi (PT, 1min22s) traz um discurso com apelo de gênero, criticando a “intolerância e desrespeito que marcam a eleição” e aderindo ao “ele não”, em alusão ao movimento nacional de oposição a Jair Bolsonaro. A candidata se posiciona contra o fascismo. Reconhecendo a importância da inclusão por ter uma filha surda, Márcia Tiburi parabeniza o INES (Instituto Nacionais de Educação de Surdos) pelos seus 196 anos e diz que o PT sempre apoiou as políticas de inclusão social e que isto continuará caso ela e Fernando Haddad sejam eleitos.

Anthony Garotinho (PRP, 32s)  relembra seu período como governador em que assumiu o estado falido e renegociou as dívidas com os bancos e com o governo federal, ao mesmo tempo que pagou em dia os servidores. Afirma ter sido considerado o governador campeão de obras e programas sociais e que tem a certeza de ter a capacidade de recuperar o Rio de Janeiro.

Pedro Fernandes (PDT, 58min) inicia sua propaganda com a fala de Ciro Gomes manifestando apoio a sua candidatura. Em seguida, o candidato entra na temática da segurança pública, apontando os baixos gastos com inteligência e tecnologia como a causa dos tiroteios e balas perdidas no Rio de Janeiro. Promete integrar as polícias e aumentar os investimentos para melhorar a segurança. Chama atenção também para as dificuldades dos serviços de saúde, prometendo valorizar os servidores, prestar atendimento digno à população, ampliar o número de consultas com especialistas e zerar filas para cirurgias eletivas. Na educação, se compromete com escolas de tempo integral e critica o excesso de gastos com as vistorias do DETRAN.

Tarcísio Motta (PSOL, 8s), ressalta a existência de muitas ideias e projetos que precisam ser colocados em prática. O candidato pede mais igualdade e menos injustiças. e pede o voto dos eleitores.

Eduardo Paes (Democratas, 3min43s), ressalta a importância  da experiência e da capacidade de gestão para tirar o Estado da crise e continua reforçando a imagem de político com experiência para enfrentar os desafios do governo do Rio de Janeiro, relembrando o eleitor das políticas adotadas na prefeitura do Rio ao longo de sua gestão. O candidato menciona seu compromisso com a juventude e a educação e reforça também seu compromisso com políticas públicas para as mulheres, relembrando suas políticas de gênero à frente da prefeitura, como os hospitais da mulher, as clínicas da família, o programa cegonha carioca e as creches. Na segurança, Paes se compromete em estender o patrulhamento nas ruas e em promover maiores investimentos em inteligência para enfrentar o tráfico e a milícia. Na economia, retoma a questão do desemprego e se compromete a buscar equilíbrio orçamentário. Promete também cortar privilégios fiscais e estimular setores produtivos como turismo e cultura, combater a burocracia e melhorar o ambiente de negócios. Assume ainda o compromisso de focar na situação dos servidores, valorizando o profissional de segurança.

Índio da Costa (PSD, 40s), afirma que o Rio de Janeiro corre risco de permanecer nas mãos daqueles que destruíram o Estado e o país e defende que não se pode deixar que um candidato do Lula vença a eleição. O candidato declara voto em Bolsonaro e pede que o eleitorado faça o mesmo. Afirma continuar na luta contra o grupo político de Paes e Cabral, ressaltando que os dois são ficha suja. Se coloca como relator da lei da Ficha Limpa.

Com apenas 4 segundos de propaganda, Dayse Oliveira (PSTU), apenas apresenta seu nome e número de campanha. Já Marcelo Trindade (NOVO)  afirma que o Rio de Janeiro tem escolha e pede voto no 30.  André Monteiro (PRTB, 5s) também só se apresenta e convida o eleitor a conhecer suas ideias.

Wilson Witzel (PSC, 27s) menciona sua trajetória, afirmando ter estudado ao longo de toda sua vida em escolas públicas e, por isso, entende a necessidade de uma educação de qualidade. Promete uma ‘escola sem partido’ que preparará profissionais para o emprego e para a universidade. Aparece ao lado do candidato ao Senado Flávio Bolsonaro na campanha. Promete ainda ostensividade do patrulhamento policial para combater o tráfico e a milícia.

* Graduando em Ciência Política na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e pesquisador no Laboratório de Estudos Eleitorais, de Comunicação Política e Opinião Pública (DOXA-IESP/UERJ).

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