Resumo do Horário Eleitoral Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) – 2° semana (10/9/2018 a 15/9/2018)

Cynthia Cunha*

Presidente (11/09 – 13/09 – 15/09)

A pauta da corrupção abre a segunda semana da propaganda de Marina Silva (REDE, 21s) no horário gratuito de propaganda eleitoral. A candidata aparece em segundo plano, enquanto uma imagem que remete à uma ferramenta de busca da internet digita a questão: “Marina Silva é corrupta?”. Em resposta, a candidata declara com firmeza “Não”. A propaganda do dia 13/09, tem forte apelo à juventude e remete a uma nova forma de fazer política. Com declarações de jovens sobre suas aspirações para o país, a propaganda termina com a frase “Unidos nós podemos virar o jogo e juntos nós vamos reinventar o nosso país”. Na última propaganda da semana, no dia 15/09, ao afirmar que vai governar com os melhores da “ciência, da academia, do empresariado, da sociedade e dos movimentos sociais”, convidando os eleitores a governar junto, a candidata transmite a mensagem de que, em seu governo, haverá o diálogo com diversos setores da sociedade, e não só com os partidos.

Henrique Meirelles (MDB, 1min55s), na segunda semana de propaganda eleitoral mantém a intenção de se descolar da imagem de político de carreira e busca se aproximar do discurso de solucionador de crises, que motiva o slogan “chama o Meirelles”. Em todas as propagandas desta semana, o candidato mobiliza as mesmas cenas e busca sempre reforçar a imagem de gestor, citando exemplos da sua trajetória como economista, com destaque para as melhorias ocorridas durante o governo Lula, período em que foi presidente do Banco Central. Em nenhuma das propagandas há menção direta ao presidente Michel Temer ou ao seu partido e o candidato não deixa claro que é o candidato do governo. Em relação às suas propostas, a ênfase é dada para o crescimento da economia e a geração de empregos.

A segunda semana de propaganda de Geraldo Alckmin (PSDB, 5min32s), candidato com maior tempo de tv, retoma a agressão sofrida por Jair Bolsonaro para reforçar o apelo à necessidade de moderação do acirramento das posições políticas. O candidato procura se colocar como a opção de uma liderança pacificadora para o país. Além disso, ele se coloca também como o político mais preparado para enfrentar os problemas atuais, apontados como resultados dos anos de governo do PT. Ao longo da semana são exploradas com maior destaque as propostas do candidato para a segurança pública e a geração de emprego.

Na segunda semana de propaganda, Haddad (2min23s) se posiciona como candidato oficial, embora, nas propagandas, seja dada maior ênfase ao nome da coligação “O povo feliz de novo”. O destaque do discurso é na mensagem de que o país está sofrendo com o projeto implantado no governo Temer, o qual estaria priorizando apenas o interesse dos mais ricos. É reforçada a memória do momento de prosperidade durante os governos Lula. Neste contexto, são apresentados exemplos de direitos retirados pelo atual governo. Lula aparece em gravações defendendo que sua prisão foi uma manobra injusta que teve como objetivo o impedir de se candidatar e pede o voto do eleitor para Fernando Haddad. Por fim, Lula ressalta o trabalho do candidato como ministro da Educação durante seu governo.

Ciro Gomes (38s) apresenta sua biografia e se coloca como um candidato ficha limpa. Ele apresenta suas propostas para melhorar a economia, para reduzir o endividamento das famílias, limpando o nome dos cidadãos do SPC, e para a educação. O candidato relembra ainda o seu papel na transposição do rio São Francisco, que afirma ter sido iniciada no período em que foi ministro de Lula. Por fim, Ciro termina todas as campanhas com a frase “eu tenho pouco tempo de TV, mas muitas ideias para mudar o Brasil. Mude!” e convida os eleitores a conhecerem suas propostas em seu site.

Boulos (13s) utiliza seu pouco tempo de propaganda para apresentar suas propostas de revogação da reforma trabalhista realizada pelo governo Temer e de incentivo à igualdade de gênero, através de uma lista suja do machismo. O candidato também critica a distribuição desigual de tempo de propaganda na televisão e convida o eleitor a conhecer suas propostas em seu site. A candidatura de Boulos se posiciona como a alternativa para enfrentar o sistema político atual, que, conforme afirma o político, está “podre”.

A campanha de Jair Bolsonaro (PSL, 8s) desta semana aborda o ataque sofrido pelo candidato e começa a semana com a frase “o povo brasileiro caminha unido em oração pela vida do nosso Jair Messias Bolsonaro”. Nas propagandas seguintes o candidato mobiliza o ocorrido com a narrativa de que este teria sido uma tentativa de barrar a mudança, reiterando a tese de que ele seria o candidato no qual o povo deposita a esperança de um país diferente. A campanha adota um discurso messiânico em relação à figura do candidato e não aborda os temas polêmicos que costumam fazer parte de seu discurso.

Álvaro Dias (Podemos, 40s), cujo mote de campanha é “abre o olho”, se coloca como o candidato ficha limpa, que cortou e pretende cortar o privilégio dos políticos. O candidato usa seu tempo para reforçar o discurso de zero tolerância contra a corrupção e contra o crime organizado e também para apresentar sua biografia ao público, pedindo que os eleitores acessem a internet para conhecer melhor suas propostas.

Os candidatos Cabo Daciolo (Patriota), Eymael (PDC), João Amoedo (NOVO), João Goulart Filho (PPL) e Vera Lúcia (PSTU), por conta do reduzido tempo de propaganda, conseguem apenas dizer seu mote principal da campanha e quase todos repetem as propagandas da semana anterior.

Cabo Daciolo (8s), segurando uma bíblia em um estúdio com o letreiro projetado “Deus está no controle”, dá Glória a Deus e prega: “Chega de escravidão. Chega de corrupção”.

O candidato Eymael (8s) usa seu tempo para se apresentar aos eleitores e ressaltar seu papel na defesa da família cristã

João Amoedo (7s) argumenta que a mudança não vem dos políticos tradicionais e pede o voto do eleitor

Já na propaganda do candidato João Goulart Filho (7s), o ex-presidente João Goulart (seu pai) aparece ao fundo da imagem do candidato, em primeiro plano, sendo apresentado por uma narradora, que diz: “Quem gosta do Brasil, vota nele!”

Por fim, Vera Lúcia (7s) defende um basta ao desemprego e exploração e afirma a necessidade de uma rebelião.

 

Governador do estado do Rio de Janeiro (10/09 – 12/09 – 14/09)

Romário (Podemos, 44s), na segunda semana de propaganda eleitoral, discute, em cada programa, um dos problemas enfrentados pelo estado do Rio de Janeiro. O candidato apresenta suas propostas para resolver a questão da saúde, da educação e da situação fiscal, com destaque para o atraso no salário dos servidores.

Márcia Tiburi (PT, 1min22s) mantém na segunda semana a ênfase nos êxitos do PT enquanto o partido estava na presidência. A candidata atribui a crise no Rio de Janeiro aos governos do MDB. Nesta semana, a candidata tem maior protagonismo, apresentando sua biografia e identificando a sua luta com a luta das mulheres. As propostas apresentadas pela candidata focam na recuperação da economia e na geração de emprego.

Anthony Garotinho (PRP, 32s) mantém o foco em sua trajetória política, apresentando sua atuação para recuperar o Rio de Janeiro quando assumiu o governo do estado em 98.

Pedro Fernandes (PDT, 58min) apresenta suas propostas de redução da burocracia, de investimento de recursos na educação e de geração de emprego e renda no estado. O candidato se coloca como representante de Brizola e de seu partido, o PDT. A crise do Rio de Janeiro também é citada pelo candidato, que defende o fim da corrupção e das mordomias dos políticos. O candidato a presidente pelo PDT, Ciro Gomes, aparece na campanha o apoiando e defendendo a bandeira da mudança, reafirmando o slogan “Mude!”.

Tarcísio Motta (PSOL, 8s), na segunda semana, apresenta uma propaganda mais focada em suas propostas, deixando claro seus planos para a saúde e para a educação. O candidato se coloca como oportunidade de mudança para os problemas do Rio, como o slogan “o Rio tem jeito, vote 50”.

Eduardo Paes (Democratas, 3min43s), com o maior tempo de TV entre os candidatos a governador,  relembra as políticas adotadas na prefeitura do Rio de Janeiro ao longo de sua gestão, buscando reforçar a imagem de político com experiência para enfrentar os desafios do governo do Rio de Janeiro. São apresentadas as suas propostas para a educação, para o transporte, para a geração de emprego, para a saúde e para a segurança. A crise no Rio de Janeiro é citada e o candidato estabelece sua agenda a partir das medidas a serem tomadas para superar os problemas do estado.

Índio da Costa (PSD, 40s) inicia sua semana de propaganda eleitoral criticando a gestão de Cabral e Paes e reforçando a ligação entre os dois. No entanto, a agenda principal da semana continua sendo o problema da segurança pública. O tom da campanha é dado pela afirmação de que o governo do candidato terá um lado, “o lado das famílias, da lei e das polícias”.

Com apenas 4 segundos de propaganda, Dayse Oliveira (PSTU), apenas apresenta seu nome e número de campanha e Marcelo Trindade (NOVO) apenas critica a “velha política” pelo pouco tempo na TV. André Monteiro (PRTB, 5s) também só se apresenta e convida o eleitor a conhecer suas ideias.

Wilson Witzel (PSC, 27s) declara a sua intenção de “pegar o Rio de Janeiro de volta”, critica o ataque ao candidato Jair Bolsonaro e fala sobre sua atuação na saúde como Juiz Federal e suas propostas para a área nesta eleição.

Luiz Eugênio (PCO, 4s), optou por não exibir programas eleitorais.

* Doutoranda em Ciência Política no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UERJ). Coordenadora do Laboratório de Estudos Eleitorais, de Comunicação Política e Opinião Pública (DOXA-IESP/UERJ).

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