Resumo do Horário Eleitoral Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) – 3ª semana (17/9/2018 a 22/9/2018)

Cynthia Cunha*

Presidente (18/09 – 20/09 – 22/09)

Faltando menos da metade para o primeiro turno das eleições, Alckmin se posiciona de maneira mais contundente em relação a seus potenciais adversários. Já os debates dos eleitores sobre a questão das mulheres também parece influenciar a propaganda de alguns candidatos, que inserem o tema nas propagandas, buscando reafirmar o compromisso com a igualdade entre homens e mulheres.

Marina Silva (REDE, 21s) inicia a terceira semana de campanha afirmando o seu foco na educação de qualidade para todos, em particular para as crianças de 0 a 6 anos. Ao longo da semana a candidata reafirma esse foco, citando o seu plano “Vida Digna”, que pretende aumentar o número de vagas em creches e melhorar o SUS. A última propaganda da semana discute a questão da luta das mulheres no Brasil.

Henrique Meirelles (MDB, 1min55s) reforça a mensagem de que não vai fazer promessas, mas se comprometer a melhorar a economia. Ele tenta se afastar da imagem de político demagogo que promete mentiras, com o discurso de que sempre trabalhou quando chamado para resolver os problemas do país. Em todas as propagandas desta semana, o candidato busca sempre reforçar a imagem de gestor, citando exemplos da sua trajetória como economista e de candidato ficha-limpa. Ao longo dos dias, o candidato mobiliza o discurso de que é a opção mais confiável para recuperar a economia, destruída pelos governos anteriores. Permanece a ausência de menção direta ao presidente Michel Temer ou ao seu partido e o candidato não deixa claro que é o candidato do governo.

Geraldo Alckmin (PSDB, 5min32s), começa a semana mais combativo e se posiciona como a alternativa à polarização política. O candidato critica, de um lado, a “turma de vermelho”, que argumenta ter sido responsável pela crise atual do país, e, de outro, a “turma da revolta, da intolerância e do ódio a tudo e a todos”, destacando a falta de apoio político e de preparo de Jair Bolsonaro. O candidato se posiciona como tendo experiência para enfrentar os problemas do país e relembra sua trajetória como governador de São Paulo. Ao longo da semana, ele reforça seus alvos: da mesma forma que critica a falta de competência de Bolsonaro em relação à economia, critica também os governos anteriores do PT. Alckmin retoma também a situação da Venezuela, deixando implícito na mensagem uma suposta proximidade entre Bolsonaro e Lula com o ditador Hugo Chávez e, assim, apelando para o receio do eleitor em ver o Brasil enfrentar os mesmos problemas. O foco da campanha consiste em se colocar como candidato contrário ao radicalismo.

Fernando Haddad (PT, 2min23s) ainda mobiliza em grande medida o apoio do ex-presidente Lula a sua candidatura, com discursos de Lula elogiando o candidato em todas as propagandas. Ao longo da semana, a campanha foca na trajetória de Fernando Haddad, em especial a sua atuação como Ministro da Educação. Discute também temas como emprego e aumento do salário mínimo. A memória de Lula na campanha ainda é forte. Destaca-se no discurso a mensagem de que Haddad representaria o retorno ao passado de prosperidade dos governos de Lula. A candidata a vice, Manuela D’Ávila, do PCdoB, também aparece nesta semana, reforçando a mensagem de igualdade entre mulheres e homens.

Ciro Gomes (PDT, 38s), novamente, apresenta sua biografia e se coloca como um candidato ficha limpa. Ele apresenta suas propostas para melhorar a economia, para reduzir o endividamento das famílias, limpando o nome dos cidadãos do SPC, e para a educação e saúde. O candidato aproveita seu pouco tempo na televisão para detalhar estas propostas, com destaque para esclarecimentos sobre o plano de acabar com o endividamento dos cidadãos.

Guilherme Boulos (PSOL, 13s) utiliza seu pouco tempo de propaganda para criticar a distribuição desigual de tempo de campanha na televisão e convidar o eleitor a conhecer suas propostas através de conversas ao vivo em sua página nas redes sociais. O candidato também se posiciona como alternativa para enfrentar o sistema político atual, criticando a política tradicional do “toma lá, dá cá”.

Jair Bolsonaro (PSL, 8s) repete a campanha da semana anterior com a frase “não vão conseguir parar a força de um Brasil que quer mudar. A esperança está mais viva do que nunca”, em referência ao ataque sofrido pelo candidato como uma suposta tentativa de barrar a mudança.

Álvaro Dias (Podemos, 40s), permanece com o mote de campanha “abre o olho”, colocando-se como o candidato que pretende cortar o privilégio dos políticos, cortar o número de ministérios e prender os políticos corruptos. O candidato usa seu tempo para reforçar o seu foco no combate à corrupção e no combate à violência nas ruas.

Os candidatos Cabo Daciolo (Patriota), Eymael (PDC), João Amoedo (NOVO), João Goulart Filho (PPL) e Vera Lúcia (PSTU), por conta do reduzido tempo de propaganda, conseguem apenas dizer seu mote principal da campanha e pedir o voto.

Cabo Daciolo (8s), mantém a mesma propaganda, com o slogan “Glória a Deus. Chega de escravidão. Chega de corrupção”.

O candidato Eymael (8s) usa seu tempo para defender o que chama de democracia cristã e apresentar sua proposta de financiamento de 100% da casa própria.

João Amoedo (7s) mantém a defesa de que a mudança não virá dos políticos tradicionais e pede que o eleitor vote considerando o candidato que acha melhor, ao invés de votar com medo.

Já o candidato João Goulart Filho (7s), repete a propaganda das últimas semanas, com o slogan “Quem gosta do Brasil, vota nele!”.

Por fim, Vera Lúcia (7s) defende um basta ao desemprego, convida o eleitor para conversar nas redes sociais sobre racismo e exploração e argumenta que “a dívida pública é o maior roubo do Brasil”. A necessidade de rebelião é a mensagem principal de sua propaganda.

Governador do estado do Rio de Janeiro (17/09 – 19/09 – 21 /09)

Romário (Podemos, 44s), na terceira semana de propaganda eleitoral, discute os problemas enfrentados pelo estado do Rio de Janeiro. O candidato apresenta suas propostas de combate à corrupção no Rio, com auditoria de contratos e corte de cargos comissionados; de pagamento dos salários dos servidores em dia; e de melhoria da saúde, educação e segurança pública.

Márcia Tiburi (PT, 1min22s) inicia a semana relatando sua trajetória pessoal e sua ligação com a luta das mulheres e das minorias. Ao longo da semana, a candidata retoma sua relação com o ex-presidente Lula e o candidato a presidente do PT, Fernando Haddad. A candidata toca ainda nos problemas da crise econômica e do desemprego no estado.

Anthony Garotinho (PRP, 32s) permanece com o foco em sua trajetória política, apresentando sua atuação para recuperar o Rio de Janeiro da crise, quando assumiu o governo do estado, em 1998.

Pedro Fernandes (PDT, 58s) mantém o mesmo foco na terceira semana. O candidato se apresenta como oportunidade de mudança e defende o fim da corrupção e dos privilégios dos políticos. Ele se coloca como representante de Brizola e de seu partido, o PDT. Ciro Gomes, candidato a presidente pelo PDT, aparece na campanha o apoiando e defendendo a bandeira da mudança. O candidato apresenta seus planos de redução da burocracia, de aumento de incentivos para pequenas e médias empresas, de redução de impostos, de geração de emprego e renda no estado, de investimento de recursos na educação e de investimento na inteligência das polícias.

Tarcísio Motta (PSOL, 8s), na terceira semana, mantém o foco no esclarecimento de suas propostas para o estado. O candidato detalha seus projetos para a educação, com maior investimento em professores e funcionários, garantia do ensino integral e valorização do ensino superior. Para a segurança, o candidato defende o uso de mais inteligência e menos confronto, combatendo o tráfico de armas. Na saúde, o candidato pretende reorganizar o atendimento para acabar com as filas, combater doenças como sarampo e dengue e focar na prevenção. O candidato foca ainda na distribuição de renda e geração de empregos.

Eduardo Paes (Democratas, 3min43s), continua relembrando o eleitor das políticas adotadas na prefeitura do Rio de Janeiro ao longo de sua gestão, buscando reforçar a imagem de político com experiência para enfrentar os desafios do governo do Rio de Janeiro. O BRT, a revitalização da zona portuária, obras de infraestrutura e criação do bilhete único carioca são exemplos de ações apresentadas na sua propaganda. São apresentadas as suas propostas para a educação, para o transporte, para a geração de emprego, para a saúde, para a segurança e para a juventude.

Índio da Costa (PSD, 40s), na terceira semana, apresenta sua trajetória política e busca reforçar sua imagem de pai de família. A agenda do combate à corrupção e de limpeza da polícia é central na propaganda desta semana. Índio declara ainda seu apoio ao candidato a presidente Jair Bolsonaro.

Com apenas 4 segundos de propaganda, Dayse Oliveira (PSTU) apenas apresenta seu nome e número de campanha. Já Marcelo Trindade (NOVO) apenas critica a “velha política” pelo pouco tempo na TV. André Monteiro (PRTB, 5s) também só se apresenta e convida o eleitor a conhecer suas ideias.

Wilson Witzel (PSC, 27s) busca destacar sua trajetória como juiz federal com o slogan “mudando o Rio com juízo”. O candidato ressalta os valores da família e da ética. Já em relação à apresentação de propostas, o candidato foca na educação.

Luiz Eugênio (PCO, 4s) não exibiu programas eleitorais.

*Doutoranda em Ciência Política no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UERJ). Coordenadora do Laboratório de Estudos Eleitorais, de Comunicação Política e Opinião Pública (DOXA-IESP/UERJ).

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